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No mundo da Luna: Nova série da HBO MAX celebra a cultura cigana

A série baseada no best seller da autora Carina Rissi, estreou no último domingo (13).


(imagem: divulgação/hbomax)


A nova série nacional da HBO MAX estreou no último domingo e dividiu opiniões entre os fãs do livro.

É comum criarmos certa expectativa quando a adaptação de nosso livro favorito é anunciada e foi exatamente isso que aconteceu com os fãs da autora Carina Rissi quando a série de No mundo da Luna foi anunciada.

É importante ressaltar que existem tipos de adaptações, neste caso, a série é apenas baseada no livro, ou seja, é comum que a história contada na série se distancie da do livro.

O livro de No mundo da Luna foi lançado em 2015, ele foi escrito dentro do contexto social daquela época, porém, está sendo adaptado em 2022 que está em um outro momento social.

Sei que para muitos fãs, isso não é o suficiente para justificar as mudanças, mas é a verdade. Ao construirmos uma narrativa audiovisual, precisamos pensar em como causar empatia em quem irá consumi-la, e muitas vezes a forma como a empatia é trabalhada no livro não é suficiente para o cinema, afinal, no livro temos apenas a perspectiva da Luna, na série não é bem assim.

Como fã da Carina desde 2013, eu gostei de como a série trouxe novas questões e fez mais pessoas se identificarem com a história. Sobre o casal protagonista, Luna e Dante, a história deles na série me deu a entender que eles não estão no mesmo que os conhecemos no livro, é apenas um novo inicio para uma mesma história.


(imagem: divulgação hbo max)


A forma como a questão do jornalismo atual e da cultura cigana foram abordadas na série me deixou muito satisfeita, pois são questões que - na minha opinião- ficam um pouco de lado no livro e no contexto da série fez toda diferença.


A atriz Giulia Miranda, que dá vida a Marissol na adaptação, nos deu uma entrevista exclusiva e contou como foi fazer parte dessa série tão aguardada, confira abaixo!


ENTREVISTA COM GIULIA MIRANDA


1- como foi fazer parte dessa produção tão aguardada pelos fãs da Carina ?


GIULIA: Fazer parte desse projeto foi incrível, de verdade. Primeiro que o livro da Carina é daqueles completamente envolventes, em que você não consegue parar e fica se convencendo de que vai ler "só mais um capítulo", e nunca é só mais um, rs. Foi assim em todas as vezes em que li, e fiquei feliz demais com a quantidade de pessoas que vieram me contar que o livro em que a série se baseia é o preferido delas.

Sobre a questão do universo cigano - e esse aspecto em especial me tocou muito porque tenho ascendência cigana - eu fiquei extremamente feliz com a seriedade e respeito com que vi a cultura sendo levada dentro de set. Tínhamos um consultor em cultura e dança cigana nas gravações, pra ajudar a manter tudo coerente com base em como é de fato, cada parte retratada da cultura cigana.

Sobre o elenco, foi bem legal acompanhar de perto como todos estavam concentrados em entregar um bom trabalho pras fãs da obra e espectadores no geral, além de ter sido um aprendizado atuar com a Maria Clara Gueiros e Rosi Campos, por quem eu já tinha profundo respeito e admiração. Poder conhecer pessoalmente a Carina, que é a mente por trás de tudo, também foi uma das partes mais especiais. Já falei isso mas é que ela é simplesmente... a pessoa mais fofa do mundo! E ver a felicidade dela em realizar esse sonho, não tem preço.


2- Sua personagem é cigana, você fez alguma pesquisa sobre a cultura cigana para sua personagem ter mais veracidade em cena ?


GIULIA: Eu tenho ascendência cigana, então bastante coisa eu já tinha lido e ouvido falar antes mesmo das gravações, mas me aprofundei muito na pesquisa sobre a cultura pra poder trazê-la pra tela com todo o respeito e profundidade que essa cultura milenar merece. Foi gostoso poder fazer uma pesquisa que me ajudou a entender mais inclusive sobre mim, minha família e raízes. O processo de pesquisa incluiu não só ler materiais como dados, matérias e até ler um doutorado (indico muito inclusive, se chama “ciganos, roma e gypsies: projeto identitário e codificação política no Brasil e Canadá”, da Mirian Alves de Souza, é super completo pra quem quer aprender mais), como mergulhar nos documentos da minha família em que a ancestralidade cigana é detalhada, ou mesmo ligar pra parentes e perguntar sobre as raízes ciganas da minha própria família.

Fiz tudo isso e descobri coisas como o percurso e cidades pelas quais meus antepassados ciganos foram migrando até chegar no Brasil. A ramificação da minha família foi formada por ciganos Rom (que é um dos três principais grupos de ciganos que existem, que são o Rom, Sinti e Calon), que desceram o leste europeu seguindo o Rio Tisza, depois rumo à Italia, até -depois de muito tempo- chegarem em Minas Gerais, de onde é meu vô. Aí meu vô se casou e veio pra São Paulo, de onde eu sou.

Enfim, a pesquisa foi uma das partes mais gostosas, pude mergulhar fundo nos significados e tradições representadas na série, além de eu poder me aprofundar nas minhas origens e nessa cultura que já era tão importante pra mim.


3- qual foi a melhor parte desse projeto ?


GIULIA: Ai… difícil escolher uma só! hahah Como fã da Carina e do livro, a melhor parte foi ver o quanto esse projeto representou a realização de um sonho tanto pra ela quanto pra quem curte o livro. Como atriz, fiquei muito feliz de receber uma personagem pela qual eu tenho TANTO carinho (eu sou realmente apaixonada pela Marissol), e por fim como mulher recém-formada em cinema, eu fico feliz demais em ver histórias brasileiras criadas por mulheres, virando obras audiovisuais e indo parar em streammings grandes como a HBO Max, dando destaque à nossa literatura e audiovisual brasileiros, que são tão especiais e feitos com tanta garra.


(imagem: arquivo pessoal Giulia Miranda)


4- como foi conhecer a Carina ?


GIULIA: A Carina é uma pessoa especial! Conhecer ela foi um momento surreal, ela sentou do meu lado na hora da exibição dos primeiros episódios, no evento de pré-estreia. Eu pensei “MEU DEUS A CARINA” mas tinha certeza que ela não ia saber quem eu era, então só fiquei na minha. Eis que ela vira e fala “Giulia! Posso te dar um abraço, minha Marissol?” aí eu simplesmente fiquei no chão! HAHAHAH Eu falei “Carina! Sou completamente apaixonada pelos seus livros”. E foi assim. Depois conversamos bastante, conheci pessoalmente o Adriano e a filha dela também, que são um amor.


5- o que você e a Marissol, sua personagem, tem em comum ?


GIULIA: Além da questão da Marissol ser uma cigana do grupo Rom, como nas raízes da minha ascendência, eu considero a Marissol uma personagem cheia de vida, ela tem muita vontade de experimentar coisas novas e, quando se vê em uma situação difícil -no casamento, que é a festa mais importante pra cultura e momento mais esperado por ela e família, o marido se revela um intolerante grosseiro- ela segue seu coração, mesmo que isso signifique que vai precisar aguentar muita resistência das pessoas que ama e da sociedade. Aquele episódio é o em que ela mais precisou de coragem. Quantas vezes nós não nos vemos em um dilema entre seguir o que a pressão social pede e o que seu coração diz que é o certo? Acho que ela fez uma boa escolha. E gosto de pensar que eu teria a coragem de fazer o mesmo.


6- No livro, sua personagem é conhecida como sara, você chegou a ler o livro para conhecer mais a personagem? Embora suas histórias sejam um tanto quanto diferentes no livro e na série?


GIULIA: Simm, eu li o livro três vezes no total, uma delas logo depois de passar pelos testes pra personagem. Li pra poder deixar bem fresco na memória o universo da obra e também pra poder me debruçar sobre a Sara, que mesmo ganhando um arco mais desenvolvido na série, trazia muito da vibe do livro, dos capítulos do casamento nele, e representava pra mim bastante da cultura cigana. Quis ser bem fiel na tela, com a Marissol, à tudo isso que senti do livro, na Sara.


7- poderia mandar uma mensagem para os fãs da Carina e da série ?


GIULIA: Desde o comecinho do projeto entrei em contato com as fãs do livro, e fiquei muito feliz com o apoio e carinho que elas tiveram com a gente, o elenco todo. Então se pudesse dar um recado, com certeza seria pra agradecer. Todas foram um amor comigo, e busquei, dentro do proposto, me manter fiel também ao que elas queriam ver na tela.

Por fim, queria dizer o quanto elas foram fundamentais pra que a obra da Carina pudesse virar um super projeto audiovisual como esse, que hoje está em primeiro lugar na HBO Max Brasil e em sexto lugar no HBO mundial. É uma obra nacional, nossa, uma super conquista de todas nós.


Os 10 episódios da série No mundo da Luna já estão disponíveis na HBO MAX.

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